quinta-feira, 26 de junho de 2008

Sabe quem é? Onde é? Quando é?


Se sabe quem é, onde é e quando é, responda para pontadopargo@hotmail.com juntamente com a sua identificação e localidade.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Está tudo a ser preparado....

O Ponta do Pargo News esteve esta manhã no Centro Cívico e já está uma grande azáfama para os preparativos para o espectáculo do artista de renome nacional PAULO GONZO. Deixamos aqui algumas fotografias.



Exposição "As Grandes Escolas do Mar"











Exposição Fotográfica: AS GRANDES ESCOLAS DO MAR



O Mar foi o caminho dos Portugueses para o Mundo. A dedução permanente da aventura, a rota fascinante do desconhecido. Abrimos novos caminhos marítimos de comércio, desenvolvemos de forma inquestionável a ciência náutica, a construção naval e a cartografia. A exposição fotográfica AS GRANDES ESCOLAS DO MAR por tudo quanto significa para o seu autor, tem como objectivo principal divulgar o mar, a vela e um singular evento internacional – a Regata dos Grandes Veleiros do Mundo – dignos sucessores dos grandes veleiros que durante séculos ligaram os quatro cantos do mundo, quem sabe nos primórdios da globalização. Assim, no âmbito das Comemorações de “FUNCHAL 500 ANOS”, os grandes veleiros do mundo do tipo do Navio Escola “SAGRES” vão participar na Regata Internacional e no Festival do Mar. Trata-se de uma das mais prestigiadas regatas do mundo (já nomeada para o Prémio Nobel da Paz), que tem como organização a nível mundial a Sail Training International (S. T. I.) e neste particular, denomina-se: “Funchal 500 Tall Ships Regatta and Festival do Mar”. Segundo a programação, esta Regata dos Grandes Veleiros do Mundo, terá o seu início com a concentração dos veleiros na cidade portuária de Falmouth, no sul da Grã-Bretanha de 10 a 13 de Setembro de 2008, de onde sairão para a primeira tirada com destino a Ílhavo, Aveiro (20-23 de Setembro). A frota dos veleiros participantes terão nova largada para cumprir a segunda tirada com destino à cidade do Funchal onde se prevê que comecem a entrar no Porto do Funchal nos últimos dias de Setembro, estando agendado um grandioso Festival do Mar para os dias 2 a 5 de Outubro, o qual terminará, neste último dia, com uma parada naval na baía do Funchal. Antevendo esta Regata e o Festival do Mar – FUNCHAL 500 ANOS, Na Rota dos Grandes Veleiros – o Centro Cívico da Ponta do Pargo, no Concelho da Calheta, através da objectiva de Leonel Martinho de Nóbrega, apresenta de 24 de Junho a 27 de Julho, alguns desses grandes veleiros, autênticos embaixadores das Nações Marítimas como Portugal, com navios como o singular NE-SAGRES ou o NTM-CREOULA.


Ponta do Pargo / Madeira, Junho e Julho de 2008.
Uma exposição de LEONEL MARTINHO DE NÓBREGA




Apoio:


Funchal 500 Anos


Associação Desportiva e Cultural da Ponta do Pargo


Casa do Povo da Ponta do Pargo


Junta de Freguesia da Ponta do Pargo



Uma exposição integrada nas comemorações dos 500 Anos da cidade do Funchal.




segunda-feira, 23 de junho de 2008

Doutor Vasco Augusto de França

Quem sabe onde foi tirada esta foto?

Responda para pontadopargo@gmail.com juntamente com o seu nome e localidade.


A Ponta do Pargo em 2020

A Calheta, sobretudo, a Ponta do Pargo é uma espécie de oásis dos novos ricos. O campo de golfe atraiu investimento. Os magnatas da ilha compraram terreno, outros, vivendas de luxo. Pequenas fortunas. Custam entre 650 mil e um milhão de euros. A maioria dos compradores destas “villas” são estrangeiros. Turistas russos que começaram a chegar à Madeira em 2007 com “dinheiro vivo” – não recorrem à banca – para investir. Especialmente em terrenos e imóveis.

http://blogdimension.com/fr/cache?s=43764463-a-madeira-em-2020

sexta-feira, 20 de junho de 2008

"uma excelente forma de incentivar, nos filhos dos portugueses, o amor pela terra dos seus pais".

"Amor pela terra dos pais"
Joaquín Pereira (34) formou-se em jornalismo na Universidade Central de Venezuela, também com uma média de 18 valores. Assegura que o seu sonho é realizar uma reportagem em Ponta do Pargo, Madeira, povoação donde nasceram os seus pais. Além disso, estabeleceu como meta profissional a publicação de uma série de livros com crónicas e reportagens. A intenção de concorrer surgiu do desejo de poder viajar a Portugal. Acredita que o prémio é uma "una excelente forma de incentivar, nos filhos dos portugueses, o amor pela terra dos seus pais".
Com a intenção de recompensar a excelência académica dos luso-descendentes que residem na Venezuela, a Embaixada de Portugal, o grupo Santander Totta e o Instituto Português de Cultura entregam, pela primeira vez, o Prémio Jovem Estudante. Ainda que a participação não tenha sido tão expressiva como se esperava, registaram-se, oficialmente, 11 candidatos que cumpriam os requisitos exigidos. Foram admitidos apenas jovens licenciados, com conclusão do curso no ano lectivo 2006/2007 numa universidade venezuelana, com uma média superior a 17 valores numa escala de 1 a 20, ou seu equivalente. Como é costume, todas as disciplinas universitárias são tidas em conta para a entrega do galardão. Só um dos 11 ganhará os 3.500 dólares americanos e uma passagem de ida e volta a Portugal. O objectivo do prémio, segundo os organizadores, é estimular os estudantes filhos de portugueses que vivem no país e ter em conta todo o seu esforço e dedicação nas suas carreiras. A entrega do prémio realiza-se este dia 29 de Novembro, no Centro Português em Caracas, durante a celebração do 22.º aniversário do Instituto Português de Cultura.

GG

Grupo Instrumental e de Cantares da Casa do Povo da Ponta do Pargo no São Pedro

O Grupo Instrumental e de Cantares da Casa do Povo da Ponta do Pargo irá apresentar o seu repertório com bastantes alterações no dia 28 de Junho pelas 18h00, logo depois da Missa. Brevemente iremos publicar o repertório.

Relembramos que as 20h00 irá actuar o Grupo de Folclore de Pertória - África do Sul, e as 22h00 o artisra português PAULO GONZO.

Exercício com fogos reais na Ponta do Pargo

Artilharia Anti-aérea foi sujeita a testes
Meia centena de militares dos três ramos das Forças Armadas estiveram envolvidas na operação do RG3, junto ao farol
Data: 19-06-2008
Cerca de meia centena de militares dos três ramos das Forças Armadas integraram o exercício com fogos reais de artilharia anti-aérea, com o sistema canhão bitubo de 20 milímetros.A zona do farol da Ponta do Pargo foi o palco desta acção militar coordenada pelo Regimento de Guarnição n.º 3 e que decorreu durante a manhã desta quinta-feira, entre as 8 e as 13 horas. O comando da Zona Militar da Madeira avisa a população local para que não toque em munições que eventualmente possam encontrar. Qualquer achado deve ser comunicado o mais rapidamente possível às autoridades locais ou ao RG n.º 3, através dos números de telefone: 291 765 579 ou 291 765 580.

Victor Hugo/R.D.F.

As "sortes" e outras tradições dos Santos Populares

O povo diz que "o sol baila na manhã de São João". Antigamente, as raparigas solteiras atiravam papelinhos à fogueira, queimavam cardos, punham cravos depois do travesseiro...Queriam saber com quem haviam de casar. Muitos viam-se na água à meia noite para se certificarem de que viveriam mais um ano. Outros colhiam orvalho para curar doenças. Saltar à fogueira também é costume que se vai perdendo. Duas mulheres do Caniço falam-nos destas e de outras tradições dos Santos Populares. Maria José ficava aborrecida porque se abria sempre o papelinho que continha o nome do Santo. Não sabia ler. Era a Rosairinha do Ti João Duarte quem, na véspera de Santo António ou de São João, lhe escrevia os três nomes nos papelinhos. Maria José levantava-se antes do nascer do sol. Sabia o resultado da sorte porque havia feito uma marcação diferente em cada papel. Até que começaram a dizer que havia de casar com um tal Cláudio. Experimentou escrever o nome dele e pronto. Assim quis o santo e o certo é que "comecei a andar para casar no ano para a frente". Sentamo-nos num canto da cozinha. O pão acaba de sair do forno e está abafado em cima da mesa. Maria José do Ti Valentim – é assim que todos a conhecem – tem 67 anos. Não hesita em evocar memórias do passado: "Era uma alegria chegar a este mês. As raparigas juntavam-se todas num bando e faziam as sortes à beira das fogueiras." O objectivo principal era saber quem havia de ser o futuro marido. Santo António é o santo casamenteiro mas São João tem talvez maior tradição. Atribui-lhe o povo fama de namoradeiro. Pelo São Pedro, o último dos Santos a ser festejados, repetem-se as sortes. "Fazia-se três bolos de lama com um grão de trigo. Depois ficava um atrás da porta, um atrás da casa e um debaixo da cama. Se refilasse o trigo no bolo que ficava atrás da porta era uma alegria porque queria dizer que o noivo estava quase chegando. O pior era se fosse atrás da casa porque ainda estava longe."Confessa que no seu caso "foi certo" e diz que certa rapariga chorava o dia inteiro quando a sorte lhe dizia que o noivo haveria de tardar. Ajeita o cabelo branco, meneia a cabeça e continua recordando a azáfama que se vivia em todas as casas do sítio na véspera dos santos populares. As raparigas procuravam "ter as voltas feitas à hora das ave-marias". É quando se acendem as fogueiras pelos cabeços e se ouve ao longe o som dos búzios e o alarido das gentes. "No meu tempo toda a gente fazia um facho. Agora as pessoas já não se importam porque têm outras coisas" , diz-nos Conceição Nóbrega, também de 67 anos. Não interrompe os movimentos ritmados que caracterizam a apanha da erva. A foice move-se com destreza por entre os arbustos e ela acrescenta: "Quem é que não fazia sortes quando eu era nova? Naquele tempo os namoros eram todos desviados. Agora é que andam bem agarradinhos e como elas já sabem, não precisam de fazer as sortes..." Primeiro diz que não tem muita pachorra – "quando se é novo é que se faz tudo com gosto" – mas depois acede a recordar tempos que já lá vão. Fala também na sorte dos papelinhos. Um dia escreveu José ao acaso e afinal...acertou. Ver a sombra Na água lampa Na noite de São João, antes de nascer o sol, quase toda a gente ia até à beira de um poço ver a sua sombra na água. Conceição também ia mas agora já não se importa: "A morte vem quando tem de vir e não tem nada a ver com isso." Dizem que quem não conseguir ver a sua sombra, não há-de chegar ao ano seguinte. É Maria José quem nos conta alguns episódios relacionados com este costume. Em noite de São João, há muitos anos, foi sua irmã Clara, com a filha ao colo, até à beira de um poço. Morrera-lhe a primeira filha ainda bebé e preocupava-a a vida da segunda. Ficou contente quando viu na água o rosto da menina, embrulhada no xaile. Só não viu o seu. "Quando chegou a casa contou à irmã e voltaram lá as duas mas ela tornou a não se ver. Afinal, não chegou ao São João do ano seguinte. Em Março, andava a apanhar comida à volta desse mesmo poço, caiu e morreu." Faz uma pausa. Abre o forno e tira para fora dois bolos doces. Arruma-os em cima da mesa e retoma a conversa. Lembra-se da história da prima Júlia. Uma vez não viu a sua sombra na água mas não ficou muito preocupada: "Preparou todas as suas roupas para quando morresse. Mas afinal quem morreu foi o marido." Também o avô de Maria José disse uma vez não ter visto a sua sombra e "morreu na véspera do Pão-por-Deus".Bochecha de água à espera de um nome Maria José ri-se. Fala na mãe e de como um dia resolveu experimentar determinada sorte. Manda que se tome uma bochecha de água e se aguarde debaixo de uma figueira branca, rezando o Creio-em-Deus-Pai, até ouvir o nome de um rapaz. "Diziam que minha mãe ia casar como o moço da madrinha, que se chamava Valentim, mas ela não gostava nada dele. Nesse dia, foi o primeiro nome que ouviu e ficou tão chateada que nem acabou de rezar. Afinal veio a casar com outro rapaz que também se chamava Valentim." Também havia quem se pusesse atrás da porta à hora das Avé-Marias, com a bochecha de água, à espera de ouvir o nome do futuro marido. Por isso, era uma algazarra de vozes àquela hora...ouviam-se todos os nomes conhecidos, para o caso de alguma rapariga estar com a bochecha à espera. Havia quem fizesse todas as sortes. As mais impacientes escreviam os nomes em três papelinhos mas não esperavam para o dia seguinte. Atiravam dois deles à fogueira. O nome que lhes ficasse na mão era o do pretendente. Lusco-fusco. Fogueiras aqui e ali. Saltar era um ritual obrigatório. Gargalhadas misturavam-se com o som característico do louro e do buxo ao arderam. Comentava-se o tamanho da fogueira em comparação com a dos vizinhos. Mais mato para atear o lume e também umas pinhas, trazidas quando foram às "lampas".Casas e fontes Enfeitadas com "lampas" Durante a tarde da véspera de São João, a rapaziada metia-se pelos pinheirais, subindo ribanceiras à procura de louro, murta e alecrim. Com os ramos destes arbustos enfeitavam-se as janelas, as portas das casas e ainda as fontes. Nestas também se colocavam olhos de cana e palmas. Acreditava-se que as "lampas", noutros locais chamadas "bentas", tinham o poder de afastar os maus olhados e outras desgraças. Na véspera de São Pedro recolhe-se as "lampas", que são queimadas na fogueira. Conceição diz que costumava fazer a sorte dos cardos. É fácil. Basta queimar na fogueira as pontas de três cardos e plantá-los, atribuindo um nome a cada um. Apenas um deles volta a florescer durante a noite. Nunca fez a da moeda. Maria José também não. "Mas uma vez, Cecília e Maria José do Ti Noé atiraram um tostão à fogueira e no dia seguinte o primeiro homem que encontraram foi um João. Ambas vieram a casar com um João..." Histórias que nunca mais acabam. Maria José explica outra sorte: "Põe-se três latas debaixo da cama: uma com flores, outra com água e outra com terra. Ao levantar toca-se numa sem ver. Flores era uma alegria porque quer dizer casamento. Toda a gente queria casar..." Água significa viagem e terra é sinal de morte. "Fui remediadinha, sempre tive que comer e vestir..."Fala-nos já de outro costume. Trata-se de colocar três favas – uma com casca, uma meia descascada e outra nua – debaixo do travesseiro. O objectivo é saber se a pessoa será rica, remediada ou pobre. As sortes não ficam por aqui. Há outras. Algumas com muita originalidade, como a que consiste em colocar um caracol em cima de um pano preto, tapado com uma caixa, a ver que letra há-de fazer durante a noite. Ou segurar uma vela acesa sobre um recipiente com água e esperar que a cera, ao cair, forme um nome. Ou ainda guardar um zangão dentro de uma flor de aboboreira e soltá-lo no dia seguinte, para que indique o lado onde se há-de morar. Deitar um ovo num copo com água, rezar sobre ele o Creio-em-Deus-Pai com uma cruz de alecrim e deixá-lo ao sereno da noite era ritual obrigatório. Em causa, o futuro. "No dia de São João, todas as raparigas iam a casa da minha tia Madalena com o copo para ela explicar o que era." Maria José recorda novamente a irmã. "Aparecia-lhe sempre a porta de um cemitério." A outra aparecia sempre uma casa quadrada, "mas minha tia dizia: casa quanto caibas e bens que não saibas".
Passar num vimeiro Para sarar umbigo Conceição costumava ir ao Garajau no dia de São Pedro, pois "é lampo todo o dia". Pelo São João "só é lampo antes do sol sair." Por isso é bem de madrugada, antes de nascer o sol, que se corre a tomar água das fontes para guardar, a recolher o orvalho que ficou nas plantas para usar como remédio para os olhos ou para as eczemas da pele, a colher plantas para chás, a plantar flores para pegarem mais facilmente ou a carregar de pedras árvore que não dê fruto. Ou ainda a colocar um pouco de cabelo na ponta de uma aboboreira, de um vimeiro ou num olho de cana, para que vá crescendo forte e rápido, ao mesmo tempo que essas plantas. "Ia-se de manhã, antes que a praia enchesse. Era um bando de raparigas. A ti Maria Miranda, que não tinha filhos, é que tinha pachorra de ir mais a gente. Levava-se almoço e depois cada uma dava dois mil e quinhentos para comprar refresco", recorda. Encolhe os ombros. "Era assim!" "Arranjava-se semilhas com atum, bacalhau ou gaiado, cebola e pão e ia-se até aos Reis Magos na noite de São João. Levava-se uma gaita, um machete e ia-se cantando e bailando o caminho todo. Depois para subir isto tudo é que já não havia gana e quase que não se chegava", conta, a certa altura, Maria José. O sol baila na manhã de São José. Assim crê o povo. "Uma vez fui ao cabeço dos Algerozes. É verdade que o sol parece que fazia uma bailadinha, mas não era o baile de oito", recorda Maria José. Era a última coisa. Antes era preciso ver o resultado de todas as sortes. "Quando um bebé tem o umbigo roto, passa-se num vime que fica bom", garante-nos. Deve ser na manhã de São João e só resulta se forem dois jovens a fazê-lo, um João e uma Maria. Explica que é preciso escolher um vime grosso, cortar a meio e passar o bebé três vezes entre as duas partes do vime. Eis o diálogo: "- Toma lá, Maria. – Que me dás, João? – Um menino roto, para me dares um são." O "poço da fonte" era enfeitado com arcos de flores e verduras. Toda a gente lá ia. "Hoje todos têm água em casa e já não se faz isso..." Ir a Santo António da Serra, a São João da Ribeira ou a São Pedro, à Ribeira Brava, não era tão fácil como hoje. Das serras do Caniço até lá eram muitas horas de caminho. Até à Ribeira Brava a viagem tinha de ser de barco. Mas iam e divertiam-se. "É preciso não esquecer de pôr o cravo que se traz da festa de Santo António debaixo do travesseiro. Sonha-se com o rapaz com quem se vai casar",recomenda, à despedida, a senhora Maria José. Lília Mata

Sao João em festa

O mês de Junho põe Portugal em festa e amanhã, 24, é a vez de São João Baptista, um dos mais invocados pela população. Segundo o recenseamento das festas populares, terminado em 1989 em todo o país, São João é um dos dez santos e invocações celebrados mais frequentemente. A Igreja universal, celebra a 24 de Junho a Solenidade litúrgica do Nascimento de São João Baptista. Uma outra festa, a do seu martírio, também lhe é dedicada, a 29 de Agosto. João Baptista é o único santo, com a Virgem Maria, de quem a Liturgia celebra o nascimento. Isso deve-se à missão única, que, na História da Salvação, foi confiada a este homem, considerada “o Profeta por excelência”. A festa está ligada ao ciclo solar, no hemisfério norte. Estas festividades de verão funcionam como pretexto para evocar e exaltar a vida que o sol, no solstício, traz consigo: basta recordar que, pelo S. João, se faz em muitas localidades do país uma fogueira que impedia o sol de esmorecer no seu esplendor. As festas populares, manifestações colectivas, as crenças e ritos de devoção particular são as grandes marcas da religiosidade popular no nosso país. Nas festividades populares, com ou sem relação com o ritual oficial e, muitas vezes, com origem em cultos naturalísticos, é possível encontrar manifestações particulares, por vezes, com carácter mágico. A piedade e a vivência popular atribuíram a aos santos populares a sua missão protectora, organizando festividades, congregando na celebração o sacro e o profano. O antropólogo José da Silva Lima explica a relação entre o “ciclo solar e os lugares da memória”, referindo que “o Cristianismo não inventou este ritmo herdou-o das civilizações anteriores e serviu-se dele num intuito evangelizador”. “A festa aparece como movimento que não deixa de ser igual, de repetir, sendo diferente e inovador, reciclando e integrando, qual memória que não deixa de ter um presente alicerçado em pilares estruturantes do passado, das origens”, explica. As Festas de S. João no Porto tornaram-se famosas em toda a parte pelo carácter popular e democratizado da sua celebração. Com mais ou menos esplendor, com mais ou menos fogo de artifício, é sempre a expressão de alma popular que está em causa.

GG

Sidra com pêro da Ponta do Pargo

NA QUINTA PEDAGÓGICA PRAZERES PREPARA NOVA SIDRA O PROJECTO DA QUINTA PEDAGÓGICA DOS PRAZERES AJUDARÁ A ESCOAR A PRODUÇÃO DE PÊRO DA ZONA OESTE DA MADEIRA, COMO O DA PONTA DO PARGO
A Direcção Regional de Agricultura está a apoiar um projecto privado que visa a produção industrial de sidra nos Prazeres, mais precisamente na Quinta Pedagógica. A fase de industrialização só deverá estar em pleno funcionamento na campanha (do pêro) do próximo ano, a qual decorre entre Agosto e final de Outubro.
Por enquanto, o processo continua em fase artesanal, embora com o cumprimento de normas que garantem melhor qualidade ao produto. Nesta fase artesanal, e por cada prensagem, a capacidade do lagar só dá para um esmagamento de mil e poucos quilos de maçã, dos quais resultam, no máximo, 500 litros de sumo. A sidra resultante deste processo artesanal já poderá ser provada pelo público, na Quinta Pedagógica, em Dezembro deste ano. Em breve estará à venda engarrafada.
A informação é dada pela engenheira Regina Pereira, da Direcção Regional de Agricultura, responsável pelo apoio técnico à referida produção de sidra. Conforme explicou, nesta fase inicial o que se pretende é continuar a usar na Quinta Pedagógica dos Prazeres o método artesanal que já ali se praticava, «mas que está a ser optimizado e controlado, com algum controlo já de qualidade, de forma a melhorar o produto final». Seguir-se-á, depois, a fase industrial, mais avançada, na produção de sidra.
«Será um projecto todo novo, que já não será feito pelo método artesanal, mas mais industrial, com aumentos de capacidade, inclusive», especificou. Na primeira fase, a produção rondará os 10.000 litros de sidra, podendo ascender aos 40 mil.
A sidra resultante desse futuro processo industrial será para engarrafamento e venda ao público. A título de curiosidade, Regina Pereira esclarece que, ao contrário do que se pensa, a sidra é produzida em quase toda a ilha e não apenas no Santo da Serra. O projecto dos Prazeres, na sua opinião, ajudará a escoar a produção de pêro da zona oeste da Madeira, nomeadamente da Ponta do Pargo. «Existe muita produção de pêro na Ponta do Pargo e uma vez que a maior parte dos agricultores tem uma certa idade, isto poderá ser uma forma de dinamização daquela zona», diz Regina Pereira.
A nova sidra terá algumas diferenças em relação à que os madeirenses estão acostumados a beber, salienta a engenheira.
O objectivo é conseguir «um produto com alguma frescura e acidez», o que ajuda a refrescar. «É isto que vou procurar na sidra: muita fruta, isto é, aromaticamente frutado e, em termos de boca, que seja leve, fresco e com alguma acidez», diz Regina Pereira.
A técnica salienta, no entanto, que a acidez que pretende é a da própria fruta (acidez total) e não «uma acidez volátil, que é um ácido acético», característico da maior parte das sidras que são actualmente comercializadas na Madeira. A sidra tem um teor alcóolico equivalente a uma cerveja: 5 a 6 graus, explica a engenheira.
Regina Pereira diz que ao contrário do que acontece com a produção do vinho, em que se procuram grandes maturações da uva, «no caso da sidra o que nos interessa, para ter a frescura e a acidez pretendida, é um produto não muito maduro, isto é, deve estar numa fase entre o verde e o maduro». Isto porque, grandes maturações do pêro não são favoráveis à produção de boa sidra.
«Precisamos de um produto (pêro) acídulo, ainda, com menos teor de açúcar, para dar a tal frescura e acidez que procuramos”, clarifica. Nesta primeira fase do projecto a produção de sidra está a ser feita com qualquer variedade de maçã. Regina Pereira entende ser necessário recolher mais dados sobre quais as melhores variedades de maçã a usar para este fim.
Como «código de boas práticas de higiene e segurança alimentar», a produção de sidra deve começar com a lavagem do pêro, aconselha Regina Pereira. Segue-se o corte e trituração da fruta. Durante este processo devem ser usados antioxidantes, (como, por exemplo, uma vitamina C, um ácido ascórbico), a fim de evitar uma oxidação excessiva nesta fase. A massa resultante da trituração é depois prensada, para se retirar o sumo.
Segue-se uma “defecação” de 24 horas, para que alguns sedimentos tenham tempo de pousar. O líquido é, depois, trasfegado para um recipiente, que pode ser metálico (cubas de inox) ou de madeira (barricas). A fermentação que se segue deve ser feita em locais frescos, «mas não demasiado, porque senão as leveduras não entram em actividade», frisa Regina Pereira. O local deve estar a uma temperatura que ronde os 14 graus centígrados. «Se possível, fazer fermentações à volta dos 14 graus e se conseguir fazer até a inoculação com algumas leveduras que consigam trabalhar a temperaturas inferiores, melhor ainda», diz a engenheira.
Conforme explica, quanto mais baixas forem as temperaturas, mais «as fermentações vão demorar a finalizar», o que permite extrair mais aromas. «Fica mais frutado», diz. Resumindo, a engenheira diz que o essencial é ter temperaturas relativamente baixas e fermentações longas.
São as leveduras que provocam a fermentação alcoólica, (transformando o açúcar em álcool). A fermentação deve ser contínua para que todos os açúcares sejam passados a álcool. É que, como explica Regina Pereira, quando a fermentação pára e depois recomeça, «aumenta a acidez volátil, o que não nos interessa, pois é isso que faz avinagrar». Nas condições actuais da Quinta Pedagógica, a fermentação demora cerca de três semanas.

JM

Exposição Fotográfica e Documental "As Grandes Escolas do Mar"

Exposição Fotográfica e Documental de Leonel Martinho de Nóbrega.
Em exposição no Centro Cívico da Ponta do Pargo de 24 de Junho até 31 de Julho